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Fotografia: Editorial Readymade

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

TCC de Moda: Coleção Valley of the Dolls

Olaaá!!

Depois de um longo e tenebroso inverno denominado TCC, eis que ressurjo das cinzas, como uma fênix, e trago novidades para este blog: O editorial da minha coleção para o meu TCC. Por ter sido algo que deu muito trabalho e dor de cabeça não poderia deixar de enaltecer e compartilhar o resultado final. O post pode ficar um pouco longo pois explicarei todo o conceito tanto do álbum quanto da coleção então senta que lá vem história.

Para quem tem curiosidade em saber, o TCC de um Bacharel em Moda possui duas partes, a monografia e a coleção que deve ser inspirada na pesquisa, coleção esta que deve ser produzida um mínimo de 10 looks e mais um look conceito, um look que resuma o conceito da coleção, sendo obrigatório a produção deste look, e mais quantos você desejar produzir. Essas são as regras impostas pela a minha faculdade, UNAMA.

O tema da minha monografia foi " As estratégias de marketing do e-commerce de moda" e o tema para a coleção, que é o que enaltecerei neste post, foi inspirado no álbum conceito da Marina and the Diamonds, Electra Heart.

Sou fã desse álbum desde de 2015 e sempre a música "Valley of the Dolls" me remetia uma inspiração para a criação de uma coleção ou um fashionfilm, enfim, algo que envolvesse produção de moda, na hora de escolher o tema para a minha coleção lembrei disso e tratei de iniciar o desenvolvimento.

O álbum tem um conceito incrível que eu fiquei cada vez mais apaixonada e empolgada com o processo. Com um toque de crítica social, o álbum desconstrói a ideologia do sonho americano, propagado pelos Estados Unidos, através de arquétipos femininos, representados através da personagem principal, que recebe o mesmo nome do álbum e é interpretado pela Marina. 

O álbum trata-se da busca de identidade em meio às desilusões de uma vida perfeita que a América promete proporcionar, a personagem percorre por diferentes personalidades que são fundamentadas por aparências, e assim ela se sente vazia e infeliz até se dar conta de que não precisa correr atrás dessa utopia para preencher o seu eu. Todo este conceito está diretamente ligado à experiência da própria Marina ao se deparar com a realidade americana quando se mudou para os Estados Unidos.

Para a identidade visual do álbum a artista trouxe diversas referências retrô, como o estilo Kitsch dos anos 70 do tipo Barbieville, a estética dos anos 50 e a atriz e cantora Marilyn Monroe, tida como ícone da época, trazendo essas inspirações inclusive para a indumentária e personalidade dos arquétipos.

Para desenvolver a crítica sobre o utópico sonho americano e uma sociedade que se encanta com uma vida construída por aparências, Marina trás quatro tipos de arquétipos femininos e os relaciona com estereótipos que a sociedade cria sobre eles, ironizando a forma doentia na qual as mulheres aspiram se tornar, julgando que precisam disso para serem felizes.

São eles: Housewife, Homewrecker, Teen Idle e Beauty Queen.

Housewife é a famigerada mulher que é dona de casa, na qual a sociedade impõe uma ideia de que ela é uma mulher feliz e realizada com suas tarefas domésticas e sua família, uma vida feliz e perfeita. Uma visão muito imposta nos anos 50 pela mídia americana, e inclusive uma das inspirações para a estética do álbum, que ganha evidência na identidade e indumentária do arquétipo em questão. A mulher em questão que Marina disserta em seu álbum vive em função das aparências, para seus vizinhos, familiares e amigos ela realmente tem uma vida perfeita, mas por dentro ela está vazia, o amor que ela sente não é recíproco e a sua realidade é de arrependimentos.

Teen Idle com tradução livre para ídolo adolescente, evidencia a garota adolescente que deseja ser popular entre o meio em que vive, anseia por diversão adolescente, quer ser desejada pelos garotos e que todos a queiram ter como amiga. Ela é tida como fútil, pois está sempre preocupada com a própria aparência e não se importa com o sentimento alheio, mas nem por isso os outros iram deixar de admirá-la.

Neste arquétipo é indagada a fase adolescente como a melhor época da vida de uma pessoa, Electra aspira pela diversão adolescente que a sociedade diz haver nesse período de juventude, e a sua busca frívola por isso acaba a decepcionando e a faz fazer coisas que ela não gostaria, expandindo ainda mais frustração.

Homewrecker é como a própria tradução diz: Destruidora de lares, uma garota que se sente feliz quebrando corações, iludindo o sexo oposto com seus encantos e logo depois partindo desse relacionamento como se nada tivesse acontecido. Ao final de tudo ela apenas finge que isso a deixa feliz, quando na verdade ela busca pelo amor verdadeiro, porém depois de tantas desilusões ela não sabe mais se essa busca pode se concretizar então ela decide fazer com os outros o que fizeram com ela, iludir. Diferente de todos os outros arquétipos, este em especial possui uma mensagem de poder feminino, mesmo que ela não seja completamente feliz por ter de brincar com os sentimentos alheios, em Homewrecker é ela que controla a relação, usa os homens sem ser usada.

Beauty Queen é aquela mulher vaidosa que se preocupa mais com a própria imagem do que com qualquer outra coisa, sempre em busca de ser o centro de tudo e de estar em primeiro lugar acima de qualquer um, e ela não mede esforços para alcançar esse propósito, para chegar ao topo ela é capaz de qualquer coisa. Por ser individualista ela é contrária ao amor idealizado, quanto à questão amorosa ela é mais realista.

Cada arquétipo discorre uma personalidade diferente de uma mesma personagem, a Electra Heart, o que todas têm em comum é o fato de que nenhuma está feliz consigo mesma e com a vida que leva, toda a felicidade que elas demonstram ter não passa de aparências, esses arquétipos são relatados como uma busca pela identidade da personagem, são arquétipos criados pela sociedade na qual a personagem não se encaixa.

A partir de toda esta análise fantástica que a Marina colocou no álbum produzi o conceito da minha coleção, incrementei uma modelagem mais feminina e que valoriza a silhueta, com tecidos mais brilhosos para reforçar essa idéia de mulher que quer transparecer um certo glamour. Como elemento de estilo temos, plumas, fitas de veludo e fitas serigrafa com os dizeres "Teen Idol" que imitam faixas de miss, que são características da família Teen Idol.

Para o look conceito foi criado um Robe com um body por baixo, o robe possui mangas e barra adornados com plumas recriando as vestes que normalmente as atrizes hollywoodianas usavam em seus camarins na década de 50, justamente para transparecer a mulher glamurosa que a personagem Electra Heart anseia ser.

A coleção leva o nome de Valley of the Dolls por ser o título de uma das faixas do álbum e por reunir essa idéia de que os arquétipos são "bonecas", logo a ideia seria a união deles numa espécie de Vale, alguns podem lembrar do livro e filme que recebe esse nome, e sim, foi uma das referencias que a Marina teve para a produção do álbum.

Para o Editorial escolhi como cenário uma casa que tivesse elementos vintages e clássicos para combinar com uma fotografia que possuísse uma luz mais dura com o flash, justamente para trazer essa "quebra" de que o tema não é 100% vintage/ retro, o nome escolhido foi o mesmo nome do álbum pois estamos falando e fotografando a personagem, os créditos para a produção desse trabalho estão na capa.









E então o que acharam?? Também foi feito um pequeno fashionfilm que postei no meu instagram, e se vocês desejam conferir mais do trabalho do fotográfo, que eu AMO, aqui vai o instagram dele também.

Vejamos se agora depois desse tcc que me consumiu mais do que tudo eu não voltarei com os posts normalmente por aqui.

Beijos de Luz.


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